sexta-feira, 26 de junho de 2009

a divina comédia

É engraçado, ela pensa consigo mesma, sonolenta. É engraçado como daqui a duas semanas estarei contigo há um ano atrás, começando uma nota de rodapé que explicará um pouco mais de minha existência. E quando na página já não houver espaço para contar essa pequena subtrama de minha vida, acabaremos num daqueles travessões que antecedem falas que nunca vêm, quando deveríamos, em verdade te digo, acabar num travesseiro, dedos leves nos cabelos, conforme mencionado certa vez.

É engraçado, ela reafirma, vertiginosa, como daqui a algumas semanas, há um ano atrás, eu esperarei partir de ti algo que tu nunca esperou partir de mim, o suave adagio-allegro que partiu minhas orações (nunca preces!) em frases, meus risos em meios-tons, e finalmente meu coração em despedidas.

É engraçado, ela estala o pescoço, cansada. É engraçado como daqui a alguns dias estarei contigo há um ano trás. A vida se reescrevendo num compasso diferente do nosso, a expectativa de um acerto de contos lá, quando não houve um acerto de cordas aqui - e então adagio-allegro, travessões e travesseiros para nós!; quem sabe então um final sem avesso, e arrisco até em arriscar um começo, de um capítulo e não uma nota, mas não mais para os tempos de agora, e sim, só e somente, para os tempos de um ano atrás que ainda estão por vir.

(E é mesmo tudo muito engraçado, ela crê).

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