segunda-feira, 1 de junho de 2009

as sobreviventes

Tem essa garota. Um pouco mais baixa que eu - ou assim imagino ser. Infelizmente, não será dessa vez que tiraremos a prova -, e de uns cabelos meio coloridos, nuns tons de vermelho que te fazem lembrar um rosto corado de vergonha, ou risos incontroláveis, ou o fôlego perdido depois de uma breve corrida para abraçar aquela pessoa que a gente gosta muito - se eu a encontrasse, onde quer que eu a encontrasse, certamente ficaria da cor dos seus cabelos, talvez por tudo isso junto.

Essa garota tem um quê engraçado de sempre superar minhas expectativas quanto ao fato de estar certa. E quanto mais ela tem razão, acho que menos ela gostaria de ter, mas talvez seja só impressão, nem sei. O importante é que nessas de acertos, ela sempre me poupa de uma explicação um pouco mais elaborada e ás vezes dolorosa ou, na minha cabeça, potencialmente humilhante ou ridícula. Essa garota tem um quê engraçado de me acompanhar à distância; tem um quê engraçado de acompanhar meus pensamentos, e de me pôr no colo ou me deitar no ombro ou me abraçar mesmo de tão longe, com gestos que ela nunca julga serem suficientes, mas mal sabe ela que costumam ser - e mesmo quando não são (sim, porque às vezes acontece de não serem, mas não é culpa dela), o puro sentimento que ela tem e que mal consegue expressar cobre qualquer coisa que me falte. De verdade.

Essa garota tem de mim parte da minha vida, parte da minha história, e parte da minha alma. Infelizmente - e como eu já chorei por isso - não tem parte do meu álbum, mas ainda. Espero que não por muito tempo. Espero sinceramente que não por muito tempo. Porque tem me faltado palavras pra demonstrar tudo o que ela é pra mim, tudo o que ela significa e o quanto ela importa. Eu eu gostaria de demonstrar com a cor dos seus cabelos no meu rosto, depois de correr feito criança - como ela bem sabe que eu correria - só pra poder abraçá-la como a amiga que eu não vejo há anos, mas que sempre esteve lá - nas músicas, nos filmes, nos quotes de livros e nas piadas que ninguém fez (porque só caberia a ela fazer tal comentário). Sempre esteve lá.

E sempre vai estar, essa garota...


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