sexta-feira, 29 de maio de 2009

e todos ficamos ahhh

sabe, gata, nem sei se tu está aí, mas tu é minha janela aberta e tanto faz, tanto faz. fato é que ando com vontade de sair por aí e só voltar no dia seguinte, sem os amigos de sempre, daí quem sabe acabo fazendo alguns novos amigos pelo caminho, o que pintar, o que rolar, gente nova e diferente e completos estranhos, sem muitos laços ou vínculos, talvez os loucos da faculdade, talvez os loucos que pintarem nos bares. se pá um motel, nem sei gata, ando querendo tanta coisa, tanta tanta tanta! parece que injetaram euphoria, e-u-p-h-o-r-i-a, nas minhas veias, uma vontade de falar demais, tudo, com todo mundo, tão alto! vontade de vontades boêmias francesas, tudo muito sofisticado, algum cigarro, algum vinho, começa com uma música eletrônica bem alta em algum lugar e termina com um jazz num apartamento qualquer do centro da cidade e tanto faz, gata, tanto faz, porque chove, porque esse cheiro de terra molhada é bom, e mesmo que não chova tem tanta gente na rua ainda, e tanto faz, ainda têm as luzes, ainda existe a perspectiva do sexo completamente sem compromisso e sem nome e sem endereço e tanto faz, querida, o que importa é o novo, as novas amizades, as novas companhias, as novas sensações, como se fosse ano novo e tudo diferente e todas-as-almas-renovadas-amém!, happy new year, doismilenove, doismiledez, doismileetc., tudo novo, vida nova, novo porre, cidades novas, novos nomes, porque já chega desse nome antigo, de dezenove anos de memórias blasé, tudo tão blasé por isso nada como um palco improvisado no meio de uma praça, no meio de uma sala, no meio de qualquer coisa e de qualquer pessoa, e absolutamente nada como uma peça sem ensaio e alguns nomes flutuando nas nossas cabeças pra que nós os escolhamos e usemos naquela ocasião, somente naquela ocasião, porque depois não interessa, nada interessa muito, só essa divina comédia, a commedia dell'arte, pergunte ao arlequim, ou ao pierrot que tenta roubar-lhe o coração, pergunte a eles e quem sabe eles farão mais sentido que eu, hoje, completamente sóbria, completamente lúcida, sobrevivente dos contos do caio, querendo alguma coisa que talvez nem tenha nome ainda e nem sei, gata, nem sei, não sei de mais nada, sei-de-porra-nenhuma, e só quero sair por aí, pra longe, pra qualquer lugar onde não saibam meu nome e quem sabe, quem sabe quem sabe.


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