sexta-feira, 22 de maio de 2009

do aço cirúrgico e das pedrinhas brilhantes

Não passa de um pequeno furo na curva do nariz, nada com o que se preocupar, nada para se temer, é tudo muito fácil, muito simples e muito seguro. Basta você escolher a pedra - ou deixar que ela escolha você, quem sabe -, gastar um tempo com isso em frente ao espelho, em frente aos amigos, e pedir opiniões “o-que-você-acha?" "eu não sei", eles respondem, e você suspira, impaciente.

É só um furo na curva do nariz, não tem mistério. Você escolhe a pedra, escolhe o tamanho, e ele é tão pequeno que você sente um medo um tanto irracional de que num suspiro muito longo, numa tentativa mais desesperada de se buscar por ar – e você sempre tem disso, de buscar desesperadamente por um pouco de ar fresco-puro-ou-algo-assim -, você acabe respirando ele, o que seria uma tragédia, mas não vai acontecer, você ouve. Não, não vai acontecer. 

É só aço cirúrgico.

Apenas um furo na curva do nariz, uma picada, os olhos lacrimejam por um minuto vinte e oito segundos e trinta e sete milésimos, você morde o canto do lábio direito e diz que ficou legal, talvez porque esteja mesmo legal. A pedra reluzindo à luz do dia a qual você não deveria estar exposta, mas tudo bem, tudo bem, é só um furo na curva do nariz e você ficou muito bem, gata, boa escolha.

Belo piercing.

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