quinta-feira, 23 de abril de 2009

segundo corredor à direita.

.de Clarisse

Havia o nome, e havia ela. Os detalhes vieram depois, com o tempo e a convivência - com os minutos infindáveis de conversas sobre músicas e artistas de outras épocas, enquanto dividíamos refrigerantes de cola ou pacotes de bala de hortelã e biscoito; os detalhes vieram das pontas dos dedos - lutando contra os fios de cabelo que teimavam em cair nos olhos, ou escondendo os meio sorrisos; os detalhes vieram com o cruzar de pernas e com as roupas - notei, depois de um tempo, que além do já conhecido-e-gasto jeans desbotado, tinha o costume de andar com todas as estrelas em seus pés; notei, também, que a imagem literal dessa cena - e a imagem de todas as outras cenas - me fazia sorrir -  mas nem tanto pelos detalhes; era mais pelo conjunto em si.

Não preciso dizer que, após essa constatação, houve uma ligeira alteração nos batimentos cardíacos, bem como o nascimento de uma vontade um tanto tola de cantar ou dançar pela rua, distribuindo flores ou apenas sorrisos - estes, um tantinho mais espontâneos que os de costume.

Hoje eu percebo: assim como não havia uma maçaneta que servisse de apoio para qualquer que fosse a decisão de Clarisse, nunca houve culpa nos detalhes que me fizeram descobrir que eu estava apaixonada por ela. Talvez o que aconteceu... apenas tivesse de acontecer. Apenas isso.


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