quinta-feira, 16 de abril de 2009

da citação

"... não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma?"
Caio Fernando Abreu

Estou cansada das pessoas me olhando torto quando começo a teorizar sobre o sentido da vida numa perspectiva digna dos passos mais incertos de Caio Fernando Abreu ao escrever Os Sobreviventes. Eu não penso realmente que ele me entenderia, mas acredito que ele se aproximaria disso e dos pensamentos potencialmente depressivos que me assolam vez ou outra - ele foi o homem que perguntou-afirmando que "não há nada mais destrutivo do que insistir sem fé nenhuma", afinal -, o que possivelmente o faria me olhar como "bem-vinda ao clube, menine", ou, na pior das hipóteses, como "uma fã obcecada" - o que ainda seria melhor do que a garota com tendências auto-destrutivas.


De qualquer forma, isso não se trata de querer morrer, mas sim de não suportar a idéia obtusa de viver. E, sendo mais específica, se trata de não suportar a idéia de viver sob essas regras, sob essas leis esses conceitos tão sem propósito - porque no fim, com alguma sorte, essa civilização (?) pode ganhar uma notinha em um livro qualquer de história, daqui a alguns milhares de anos, mas, a menos que você pense em algo excepcionalmente revolucionário ou provoque o homicídio de onze milhões de pessoas, você está irremediavelmente destinado a ter sua existência completamente esquecida.
 
E aí voltam todas as pessoas, com os olhares feios e prontas para dizer "oh, como você é pessimista", o que eu nem tento discordar, porque eles têm mesmo razão, sou pessimista desde que posso me lembrar, mas você vai morrer e isso é um fato, você será esquecido e isso é outro fato. No fim das contas, eu chamo mesmo é todo mundo de hipócrita, porque quando você precisa de uma nova perspectiva, o discurso de último recurso é o de que "já que estamos aqui, por que não fazer o melhor, não é?", o que em outras palavras significa "já que tu não pode fugir dessa loucura sem sentido, por que não amenizar um pouco a situação e tentar encontrar alguma lucidez nisso tudo?". 

E aí teríamos a explicação para o motivo de estarmos sempre à procura de alguma coisa que aparentemente nunca está ao nosso alcance: estamos buscando essa tal lucidez, já que não faz absolutamente nenhum sentido viver - você vive para amenizar o fato de que você está vivo, quão lógico isso pode parecer?

De um modo geral, penso que talvez isso tudo, a vida em si, seja uma espécie de karma - você não tenta amenizar nada que não seja ruim, afinal. Mas também só pode ser minha falta de fé - na história, nas religiões, nas pessoas - falando mais alto e influenciando meu ponto de vista. Vai saber. Eu não sei.

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