domingo, 22 de março de 2009

dos números

Esses dias eu estava divagando sobre a minha total inabilidade com os números.

Começou quando eu estava pensando sobre todos os zeros à direita do número onze, e em como isso poderia resultar em onze milhões de pessoas mortas ou desaparecidas por causa do holocausto; depois, pensei nos zeros ao lado do oito, dando forma aos oitocentos mil mortos no genocídio de Ruanda.

Acontece que um matemático qualquer diria que onze milhões é um número muito superior a oitocentos mil,  e que talvez por isso a História tenha livros e mais livros sobre os extermínios nos campos alemães, ao invés de livros e mais livros sobre os assassinatos de um povo africano - mas essa é só uma sugestão, afinal ele é matemático e não historiador.

E mesmo depois de tanto pensar e de tanto colocar um número ao lado do outro, mesmo depois de analisar a hipótese e/ou teoria que o matemático me apresentaria, não consegui enxergar essa distinção. E talvez eu nunca enxergue, afinal, mas então não será por causa da minha inaptidão com os algarismos hindu-arábicos, mas sim porque talvez não exista distinção entre tantas pessoas e famílias e amigos que perderam a vida só porque eram um pouquinho diferentes dos seus assassinos.

As coisas não deveriam ser assim. Não deveriam ser onze milhões de europeus tomando conta de algumas milhares de páginas de livros, e oitocentos mil africanos recebendo algumas notas em algum lugar. Se é pra fazer história, então que esta seja feita em nome das onze milhões e oitocentas mil pessoas que morreram só porque a humanidade tende a ser MUITO retardada. Porque começa assim, com uma pequena divergência sobre a importância de uma contagem, mas termina em alguma câmara de gás, ou sob o fio de algum facão.

Bem, talvez eu prefira continuar na minha ignorância matemática.

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