quinta-feira, 26 de março de 2009

da quebra

-- seção das crônicas ordinárias e dos porta-retratos.


Clarisse deu dois passos em direção à porta e hesitou. Eu esperei - e me perguntei se ela poderia ter agido de maneira mais clichê que aquela. 


(Confesso que senti falta da maçaneta. A que ela deveria segurar enquanto estivesse ponderando, medindo seus próximos passos. Era algo que deveria fazer parte da cena, eu tinha certeza. Mas a maçaneta ainda estava a pouco mais de um metro de distância, e não havia nada em que Clarisse pudesse se apoiar para escolher, nem que por alguns segundos - assim como não havia nada em que eu pudesse focar que não fosse ela ou o nome dela, como no dia em que a conheci).


Eu esperei, de qualquer forma.


(às vezes acho que havia uma cláusula de letras pequenas em nosso acordo mudo, que dizia que eu deveria ficar, e ela ir).


Mas, e isso eu descobri depois, talvez eu não tenha esperado o suficiente.


(nosso acordo mudo se encerrou no momento em que eu não fiquei. No momento em que ela voltou - como eu poderia saber, afinal?).


Um comentário:

Dri Sweet Pepper disse...

É tão real. ._. E bonito e meio triste.

Continuo lendo.
=*