sábado, 17 de janeiro de 2009

a estrada de tijolos amarelos

Eu só ia andar de kart, mas então ele surgiu na minha frente e disse algo que ficou soando na minha cabeça como "siga a estrada de tijolos amarelos, siga a estrada de tijolos amarelos". 

Ele disse que eu deveria escrever; muito, demais. Escrever toda e qualquer brainstorm que me acordasse, me atormentasse, ou mesmo que eu odiasse - ainda que o ideal fosse escrever as que me apaixonassem. Mas ele disse que escrever era válido, sempre, tudo -  não que eu já não soubesse disso, escrevo há não tão exatos nove anos - quase dez, talvez -, então escrever acabou se tornando uma espécie de necessidade, mais emocional e pessoal do que acadêmica ou profissional, mas enfim.

Cá estou eu, agora. Escrevendo. Brainstorms, teorias, divagações. Nada realmente muito interessante, acredito eu, mas também não me custa muito. E como ele é bonito, simpático e parece ser inteligente, seguirei o conselho dele - não é nada que eu já não tenha feito ou não goste de fazer, afinal.

Quem diria.

Espero que você, pessoa que está lendo esse blog, se sinta confortável com a idéia de ser minha cobaia por alguns quem-sabe-trinta-segundos ou bons-cinco-minutos de leitura ordinária e sem compromisso; seguirei a estrada de tijolos amarelos. Sinta-se à vontade para seguir também.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

da dormência causada pelo sorvete (de baunilha)

Imagine um cidade aleatória, um clima de 35°C, e um simpático pote de sorvete em uma de suas mãos. Agora imagine a textura do tal sorvete, imagine o sabor, o ligeiro choque térmico entre o doce gelado e a sua língua talvez quente demais para ele. Adicione um pouco de essência de baunilha, pra finalizar - ou então, um pouco da essência de qualquer outro sabor de sua preferência.

Após o que pode ser a décima segunda colherada, tente vivenciar a sensação de dormência na ponta da língua. Tente vivenciar a ligeira insensibilidade do órgão, provocada por um punhado de prazer sazonal comumente consumido em dias quentes - ou frios, se você também gostar da ardência na pontas dos dedos.

Agora pare um pouco; reflita um pouco comigo.

Note que talvez algumas de suas melhores relações e interações não passaram de um sorvete de casquinha, de potinho; não passaram de um picolé comprado no quiosque ali da praça num dia quente de verão ou durante uma chuva fininha no inverno.

Note, por gentileza, que as pessoas dessas relações foram (e são) capazes de escorregar através da sua vida da mesma forma que o sorvete escorrega pela sua língua e pelos seus dentes. E note, ainda, o gosto que elas deixam e a sensação de dormência na ponta da língua, note que às vezes não importa o quanto tudo é gostoso ou fácil de digerir, pois a insensibilidade sempre surgirá após, quem sabe, a décima segunda colherada ou sétima degustação sob os lábios.

Algumas pessoas são como sorvetes num dia de verão ou de inverno:

Surgem para você se apresentando como uma boa oportunidade, como uma boa idéia para a ocasião. Fazem você fechar os olhos por alguns segundos e pensar "wow, como isso é bom", e até têm lá sua utilidade perante os 35°C, ou perante a chuva fina - para o caso de você realmente querer sentir a ardência na ponta dos dedos. No fim, elas te deixam ligeiramente dormente, num estado tão apático quanto o da língua onde aquela mistura gelada de essência de baunilha acabou se dissolvendo.

Nunca sobra muita coisa - das pessoas, ou do sorvete -, nem mesmo a dormência.

(Note. Fazer tudo isso passar é realmente fácil).

domingo, 11 de janeiro de 2009

pulando "introduções a lojas de conveniência"

Você não precisa ser apresentado a uma loja de conveniência, precisa? Sabe, aquela típica lojinha da esquina, que vende Cheetos, pilhas alcalinas, mortadela e algumas verduras; a lojinha de aspecto antigo, ligeiramente decadente, e que tem sempre um senhor grisalho e de óculos-fundo-de-garrafa guardando o caixa, às vezes com boina, às vezes sem boina, às vezes com suspensório, às vezes sem suspensório.

Pois bem, então você também não precisa ser apresentado a esse blog, nem aos motivos que me levaram a criá-lo, e quem sabe até você não precise ser apresentado a mim, à autora que vos fala!

Por favor, atentem apenas ao título, atentem apenas ao endereço, e - você concordará comigo, eventualmente -, esqueça o velhinho grisalho e de boina.
 
Sabe, esse é só mais um lugar virtual que dispensa grandes cerimônias, como acontece em sexo casual entre amigos com benefícios; é só mais um blog de peripécias desimportantes e de alguns estabelecimentos-pensamentos-sentimentos-atitudes de conveniência.

Nada que você não tenha visto antes.